terça-feira, 29 de junho de 2010

Repensar a cidade

George-Simmel

É bom apenas lembrar que as metrópolis são os verdadeiros palcos desta cultura que ultrapassa e domina qualquer elemento pessoal. Aqui, nas construções e nos lugares de lazer, nos milagres e no conforto de uma técnica que anula as distâncias, nas formações da vida comunitária e nas instituições visíveis do Estado, manifesta-se uma plenitude do espírito cristalizado e se apresenta de forma impessoal tão ultrapassado que – por assim dizer – a personalidade não consegue reger o confronto. De um lado a vida é extremanente facilitada, porque são oferecidas de todas as partes estímulos, interesses, modos de preencher o tempo e a consciência, que a levam quase numa correnteza onde os movimentos autónomos da natação não parecem ser mais necessários. Por outro lado, a vida é constituída sempre mais destes conteudos e representações impessoais, que tendem a eliminar as colorações e as incompatibilidades mais intimamente individuais; assim o elemento mais pessoal, para se salvar, deve dar prova de uma singularidade e uma particularidade extrema; de se exagerar para se fazer notar, também por ele mesmo".

(Georg Simmel, filósofo e sociólogo)

robert-park

[…] "A cidade é algo mais do que um acervo de cada homem e de serviços sociais, como estradas, edifícios, iluminação, linhas de ônibus e assim por diante; ela é também algo mais do que uma simples constelação de instituições e de instrumentos administrativos, como tribunais, hospitais, escolas, policias e serviços de vários tipos. A cidade é mais um estado de alma, um corpo de costumes e tradições, de atitudes e de sentimentos organizados entre estes costumes e transmitidos através desta tradição".

(Robert Park, sociólogo)